Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Conferência’

1300 jovens estiveram presentes no campus da Universidade São Judas (Mooca), no último dia 17 de setembro, para participar da II Conferência Municipal de Juventude, discutindo suas demandas e fazendo propostas que deverão nortear a ação dos governos nos próximos anos. Trata-se de um mecanismo de participação que possibilita que a sociedade e, em especial, as/os jovens tragam suas prioridades e interfiram nas políticas de juventude. Desta etapa saíram, ao todo, 356 delegadas/os, que terão o papel de defender as propostas na etapa estadual (dias 4 a 6 de novembro), no Guarujá, que antecede a Conferência nacional (dias 9 a 12 de dezembro), em Brasília.

Divididos em grupos, as/os delegados da etapa municipal discutiram propostas para a promoção da garantia de direitos, com base em temas como: cultura, educação, trabalho, comunicação, segurança, saúde, diversidade, transporte e participação.

A avaliação desta Conferência foi realizada no último encontro do GT Juventude, com a participação de 13 organizações que estiveram presentes nesta etapa municipal. Embora tenha se percebido um esforço da Coordenadoria de Juventude, órgão da Secretaria de Participação da Prefeitura da capital, em investir na Conferência, dando estrutura e mobilizando um público jovem, e alguns GTs tenham tido boas discussões e aprovado propostas sintonizadas com as demandas existentes, o balanço geral é que a Conferência foi prejudicada por uma série de equívocos.  Entre as questões mais importantes, os/as representantes destacam:

•    A abertura pôs em evidência, na composição da mesa, setores do governo municipal, esquecendo-se da participação da sociedade civil em um espaço que deveria privilegiar a escuta dos grupos e setores desta sociedade. A principal ausência sentida foi a do Conselho Nacional de Juventude, que perdeu seu espaço de fala.
•    A organização fez um esforço para envolver um grande número de jovens e, para isso, trouxe adolescentes e jovens que participam de projetos conveniados à Prefeitura. Embora parte destes jovens tenha participado de pré-conferência, muitos ainda não estavam apropriados do processo. Com isso as discussões tenderam a ter um papel mais formativo, sem que necessariamente tenha contribuído para torná-los mais conscientes e informados, o que gerou maior dificuldade e dispersão na construção de propostas – ainda muito dependente de alguns grupos e organizações mais experientes.
•    O regimento interno não foi apresentado na abertura e, portanto, não foi aprovado. Sua ausência gerou confusão nos grupos para decidir as propostas e eleger delegados, e foi foco de uma moção de repúdio escrita na hora, que contou com ampla adesão.
•    Na ausência de regimento, alguns grupos definiram que seriam aprovadas mais de três propostas. Contudo no relatório da Comissão Organizadora algumas propostas foram suprimidas. Os grupos presentes no GT Juventude tiraram como posicionamento reivindicar a inclusão, neste relatório, de todas as propostas saídas dos grupos, já que não houve um critério comum.
•    A eleição dos delegados também não obedeceu a critérios claros. Em algumas salas, todas as pessoas se tornaram delegados. Em outras, suplentes passaram a delegados. O GT entende que é necessário que haja transparência, na ausência de regimento, a respeito da forma como a comissão organizadora está lidando com as vagas remanescentes.
•    Boa parte da estrutura e funcionamento dos grupos foi garantida pela livre iniciativa de mediadores e mediadoras convidadas, que cumpriram papéis de responsabilidade da organização. No entanto, em um dos grupos (saúde), a intervenção induziu propostas e posicionamentos, interferindo nos resultados.
•    Foi feita, pela organização, uma escolha feliz de produzir um texto-base municipal, dando evidência ao contexto das políticas na cidade de São Paulo. Mas, como o texto não foi impresso a tempo, vários grupos temáticos não tiveram oportunidade de trabalhar com ele.

Conferências Livres

As organizações e grupos que quiseram contribuir com propostas para a Conferência Nacional tiveram também a oportunidade de realizar as Conferências Livres, que ganharam atenção este ano com a produção de um documento orientador específico pela comissão organizadora. Para realizar uma Conferência Livre era necessário reunir um mínimo de dez pessoas até o dia 30 de setembro, enviando um relatório de propostas diretamente à etapa nacional.  Embora essa modalidade de Conferência não eleja delegados, ela pode interferir no texto e nas propostas que constarão na etapa nacional. Entre as conferências livres que foram organizadas, algumas trabalharam a partir de temas específicos, como mulheres jovens e gênero, moradia e direito à cidade, entre outros. Um importante desafio será garantir que as propostas das versões livres sejam de fato incorporadas e debatidas em Brasília.

Desafios

Apesar de ser um conquista importante da sociedade civil, as Conferências de Juventude ainda não conseguiram incidir nas políticas, especialmente no âmbito municipal. As resoluções da Conferência anterior, de 2008, não foram objeto de debates pelas secretarias e não resultaram em nenhuma iniciativa específica. Conseguir o comprometimento dos governos é uma das tarefas mais desafiadoras nesse momento pós-conferência.

A articulação entre as representações juvenis e organizações passa a ser importante para que essa história não se repita, pois está claro que a efetivação da Conferência dependerá do esforço da sociedade civil. O GT Juventude poderá ser um desses espaços, definindo prioridades e abrindo campo de diálogo e cobrança do poder público no município.

Anúncios

Read Full Post »

Depoimentos sobre a II Conferência Municipal da Juventude de São Paulo

“A Conferência Municipal vai me permitir conhecer o que os jovens estão pensando e querendo para a cidade. Isso vai ser muito importante para orientar o trabalho da Coordenadoria. Temos que saber a opinião deles.”

“Nós procuramos garantir que esses jovens que vieram aqui não ficassem perdidos, por isso realizamos 15 conferências livres em diferentes regiões. Também nos preocupamos em conseguir uma estrutura adequada, mas é complicado, pois não é fácil conseguir viabilizar uma série de coisas dentro da Prefeitura. É demorado, difícil em alguns momentos”

Devanir – Coordenador de Juventude

***************

“Já estamos no sétimo coordenador de juventude. Isso tem atrapalhado, pois vimos muito pouco ser colocado em prática. Os resultados ainda são fracos, precisamos avançar muito nas políticas de juventude em São Paulo. A Conferência é um momento importante para isso, uma forma de conseguir abrir espaço para a participação de jovens, construir propostas e encaminhar nossas pautas. Mas ela, sozinha, não é suficiente.”

Rapper Pirata – Fórum do Hip Hop

***************

“Trouxemos como principal reivindicação, nesta Conferência, garantir que a educação escolar trabalhe temas como educação não-sexista, equidade de  gênero, diversidade e orientação sexual.”
“Percebemos que é necessário monitorar aquilo que é produzido para a juventude, como documentos e recomendações das Nações Unidas, o legislativo e o processo de Conferências, aquilo que está previsto e precisa ser revertido em políticas. São instrumentos importantes para que possamos pressionar o poder público.”

Thais Gava – ECOS

***************

“A juventude precisa ser ouvida. É necessário que se fortaleçam os espaços de participação dos jovens para que as políticas de juventude possam de fato incorporar suas questões”

Regina Nascimento – Juventude LBV

***************

“Chegamos na segunda Conferência como se não houvesse acontecido a primeira. Isso é ruim, pois o que foi tirado não foi levado em conta pelos governos.”
“Precisamos recuperar o Conselho de Juvent ude como forma de criar e monitorar as políticas.”

Lia – Jovens feministas

 

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: