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Archive for the ‘Juventude na Cidade’ Category

Prefeitura congelou 5,2 bilhões do orçamento da cidade para 2013, o que incluia 19,7 milhões em emendas parlamentares voltadas para políticas de juventude; parte do orçamento do VAI também ficou comprometido

A Prefeitura de São Paulo decidiu congelar 5,2 bilhões do orçamento previsto para o município no ano de 2013 pela Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada em dezembro de 2012 na Câmara. Com o corte, o orçamento caiu de R$ 42 bilhões para R$ 36,8 bilhões. Deste total, houve o congelamento do valor de 700 milhões referentes a todas as emendas parlamentares aprovadas para o ano.

Entre as emendas congeladas, havia 14 aprovadas após negociações do Conselho Municipal de Juventude com a Câmara e que previam um investimento total de 19,7 milhões em políticas de juventude na cidade.

Com o contingenciamento, ficaram suspensos investimentos no Bolsa Trabalho (R$ 6 milhões), Portal da Juventude (R$ 100 mil), Campanhas Educativas da Secretaria de Direitos Humanos (R$ 500 mil), criação de Estações de Juventude (R$ 1 milhão), realização da Semana Jovem (R$ 500 mil), implantação de duas Casas de Cultura (R$ 6 milhões), realização do Mapa da Juventude (R$ 1 mil), criação do programa de Valorização de Iniciativas Esportivas – VAE (R$ 1,5 milhões), e realização da Conferência Municipal de Juventude (R$ 100 mil), além de complementar o orçamento do programa de Valorização de Iniciativas Culturais – VAI (mais R$ 1,5 milhões) e da criação do VAI 2 (R$ 2,5 milhões).

VAI

O VAI 2013, que já está em fase de avaliação e seleção dos projetos, teve R$ 1,5 milhão de complementação de seu orçamento também congelado. De acordo com movimentos culturais da periferia de São Paulo, parte do valor previsto pela emenda era fundamental para que o número de grupos atendidos não diminuísse. Apenas na terça-feia (12), a poucos dias da divulgação dos resultados, o valor mínimo pedido pelos grupos, de R$ 650 mil foi liberado para a Secretaria de Cultura. Com isso, o programa contar com um orçamento de R$ 4,5 milhões, suficientes para manter o apoio ao mesmo número de projetos que o programa teve no ano passado, cerca de 180 iniciativas culturais, mas não para expandi-lo.

Prejuízos

Para Patrícia Rodrigues, do Conselho Municipal de Juventude de São Paulo e do GT Juventude da Rede Nossa São Paulo, o prejuízo, caso as emendas não sejam liberadas, é “político e financeiro”. “Conseguimos uma vitória história, com uma Coordenadoria [de Juventude] que não dialogava. O prejuízo é político, pela luta que foi feita com a sociedade civil e com movimentos sociais e que não é considerada; e financeiro, pelos projetos que estão parados há mais de 10 anos por fala de orçamento e que não sairão do papel”, afirmou.

De acordo com Patrícia, as organizações da sociedade civil, movimentos de juventude e o Conselho Municipal estão em diálogo com o Executivo e com o Legislativo para conseguir a liberação das emendas. “Estamos na fase do diálogo e tem todo um trâmite técnico para a liberação. O papel dos movimentos é levantar a pauta e levar a demanda para o governo, fazendo pressão como sempre atuaram”, defendeu.

Patrícia afirmou ainda que o Conselho Municipal de Juventude trabalha para a liberação de todas as emendas. “Estamos fazendo um esforço para descongelar pelo menos o que já está em edital, como o VAI, mas todas as emendas são prioritárias. Vamos batalhar para que todas sejam descongeladas, e sejam prioridade do governo.”

Diálogo dentro do governo

De acordo com Gabriel Medina, Coordenador Municipal de Juventude de São Paulo, o congelamento é “cautelar”. Ele afirmou, porém, que a Coordenadoria está em diálogo com as secretarias para priorizar estas emendas.

“Já conversamos com o Juca [Ferreira, Secretário de Cultura] sobre as de Cultura, com o Eliseu Gabriel [Secretário do Trabalho] sobre as de Trabalho. Estamos fazendo este movimento com as secretarias para que elas reivindiquem. Já fizemos uma reunião com a Secretaria de Planejamento para falar sobre a importância das emendas. Estamos colocando também como prioridade da Secretaria de Direitos Humanos”, afirmou (leia aqui a íntegra da entrevista)

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O Conselho Municipal de Juventude (CMJ) iniciou os trabalhos em 2013 no último dia 27 de fevereiro, após a nomeação dos novos representantes do poder público. O primeiro encontro do Conselho, que teve participação do novo Coordenador Municipal de Juventude, Gabriel Medina, de conselheiros e de representantes da sociedade civil e da Câmara, foi marcado pelo planejamento das ações que serão desenvolvidas ao longo do ano e de cobranças por mais transparência.

Entre os temas apresentados pelo presidente do CMJ, Osvaldo Lemos, e pela conselheira Patrícia Rodrigues, estão:
• O acompanhamento das emendas e execução orçamentária;
• Mudança na Lei Orgânica do Município pra inserir o termo “Jovem”, adaptando para o município Emenda Constitucional nº 65, recém-aprovada no âmbito federal, e possibilitando a destinação de verbas no orçamento para este público;
• A inclusão das metas propostas pelo Conselho Municipal de Juventude aos então candidatos (Fernando Haddad se comprometeu com a maior parte delas) no Plano Plurianual;
• Reformulação da Lei do Conselho, para alteração da presidência (sociedade civil e poder público) e exercício do mandato por entidade, entre outros aspectos;
• Acompanhamento do Plano Juventude Viva;
• Trabalhar pela realização do Mapa da Juventude;
• Implantação de Estações Juventude e discussão do papel dos auxiliares, incluindo um possível projeto de lei que regulamente a sua atuação;
• Construção participativa de um Plano Municipal de Juventude;
• Promoção de debates sobre aborto e tráfico de mulheres;
• Ações contra a redução da maioridade penal.

Dificuldades

Durante o encontro, o Coordenador de Juventude, Gabriel Medina, afirmou haver dificuldades de inserir o tema na prefeitura. Como exemplo, Medina apontou que os auxiliares de juventude – um por cada subprefeitura – estão sendo definidos pelo governo, mas que prevalece a lógica política adotada até então, em que forças políticas locais indicam os nomes, sem a participação mais direta da Coordenadoria de Juventude.

Medina afirmou também que haverá “muita dificuldade” para liberar os cerca de RS 20 milhões em Emendas Parlamentares que haviam sido inseridos no orçamento a partir do engajamento do Conselho e das organizações da sociedade civil e que previam ações para juventude. As Emendas foram congeladas pela Secretaria Municipal de Planejamento.

O Conselheiro na cadeira de Saúde e Meio Ambiente, Daniel Cunha, também cobrou maior relevância do tema de juventude na gestão municipal. “O tamanho da Coordenadoria da Juventude, por exemplo, é uma vergonha”, afirmou.

Transparência

O GT Juventude da Rede Nossa São Paulo também esteve presente, representado pelo secretário executivo Gabriel Di Pierro, que sugeriu ao Conselho a discussão sobre um programa para jovens mulheres nos cinco Centros de Cidadania da Mulher e a respeito de uma política descentralizada dirigida à juventude LGBT. Além disso, cobrou do Conselho uma maior transparência. “É preciso promover a participação, com a divulgação das reuniões e a publicização das atas das reuniões e dos conselheiros ausentes”, defendeu.

Também membro do GT, o conselheiro Flavio Munhoz reiterou a cobrança. Ele sugeriu a utilização do Portal da Prefeitura para a divulgação das informações. Munhoz também apontou para a necessidade de o CMJ debater as mortes de jovens negros nas periferias, dialogando com o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra.

De acordo com Medina, a dificuldade em publicizar atividades do Conselho decorre da ausência, no órgão, de um secretário, cuja contratação estava prevista em lei. Ele afirmou que quadro funcional da atual da Coordenadoria é extremamente “enxuto”, mas que isso deverá ser superado no futuro.

Outras demandas

Ana Claudia, conselheira da cadeira de Relações Raciais e Étnicas, destacou a necessidade de cobrar a aplicação da lei 10.639 -que instituiu o ensino de história e cultura africana e afro-brasileiras- nas escolas municipais, além de destacar o problema do feminicídio.

Representante da Câmara Municipal, Débora Pereira destacou que há algum tempo houve uma iniciativa, na Câmara, de se criar o Prêmio Sabotagem. Ela defendeu que o CMJ busque a aprovação de uma lei para instituir a premiação.

Débora também lembrou que o Conselho deve acompanhar de perto as atividades da chamada “Bancada da Bala”, incluindo a proposta do vereador Conte Lopes (PTB), que “proíbe a utilização de vias públicas, praças, parques e jardins e demais logradouros públicos para realização de bailes funks, ou de quaisquer eventos musicais não autorizados”. Segundo ela, não apenas os bailes estão em risco como outras importantes atividades culturais, como o conhecido Pagode da 27 (na região do Grajaú, Zona Sul), por exemplo.

Agenda

O Conselho fará, em março, um novo encontro presencial para definir o planejamento e a composição de comissões e GTs. A reunião será no dia 14, no auditório da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, na Rua Libero Badaró, 119 – Centro.

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audiencia.publicaA Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) receberá, na terça-feira (19/3), uma audiência pública para debater questões relacionadas às políticas de segurança no estado de São Paulo e ações de combate ao genocídio da juventude negra. A atividade será realizada a partir das 17h.

Fruto de diversas mobilizações do Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, como a ocupação da Secretaria de Justiça, a audiência terá participação do Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, de representantes da Secretaria Estadual de Justiça e de representantes dos comandos, corregedorias e ouvidorias das polícias Civil e Militar do estado.

De acordo com membros do Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, o objetivo central da atividade é cobrar o poder público e exigir dele uma resposta para impedir a continuidade de crimes cometidos pelos próprios agentes do Estado, por meio de suas polícias, sob a alegação de combate ao crime organizado.

Violência Policial

Em 2012, quando o Comitê voltou a ter grande mobilização, a partir da onda de violência que atingiu a região da Grande São Paulo e Baixada Santista, mais de 500 civis foram mortos, segundo os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública.

A relação de civis mortos para cada policial, neste caso, ficou em 39,3. Para efeito de comparação, referências internacionais mais aceitas indicam que acima de dez civis por policial fica claro o uso excessivo de força. Outra evidência da violência e letalidade policial é que, a cada dois mortos, um civil ficou ferido – em geral se supõe que em caso de confronto a proporção seja inversa numa situação de normalidade.

Segundo matéria publicada na revista Caros Amigos, com base em denúncias policiais, “Em cada batalhão a PM tem um grupo de extermínio”. Lideranças comunitárias e moradores de vários bairros de São Paulo apontam que matadores encapuzados seriam policiais, possivelmente membros destes grupos. Muitas vítimas vêm sendo constrangidas e até executadas – como aconteceu no Jardim Rosana, Zona Sul de São Paulo, no início de 2013 -, e as próprias autoridades reconhecem que não há hoje canais de denúncia seguros.

Carta Aberta

Ato no 13 de Maio

Ato no 13 de Maio

Jofelicio Júnior (conhecido como Juninho), do Círculo Palmarino – organização que participa do Comitê – afirma que ações como esta foram vistas repetidas vezes nos últimos anos, o que levou o Comitê a se mobilizar novamente em torno do tema. Ainda no ano passado, foi lançada uma Carta Pública, assinada por mais de 100 entidades, com uma série de reivindicações para reverter o número de mortes de jovens negros e periféricos.

Entre as ações, destacam-se a iniciativa de uma lei federal que acabe com os chamados “autos de resistência”, a criação de procedimento específicos em hospitais que recebam pessoas supostamente feridas em confrontos, a indenização e apoio a famílias de vítimas da violência policial, a apuração e combate a grupos de extermínio, a elucidação das chacinas ocorridas até hoje e a punição dos envolvidos, a criação de uma comissão mista para desenvolver propostas de redução da letalidade policial, o acesso à informação e a dados sobre crime e ações policiais e outros procedimentos de proteção aos denunciantes da violência policial (leia aqui a íntegra da carta).

Juninho ressalta que estas ações são essenciais para reverter uma política de segurança que o Comitê acredita ser desastrosa. “Acreditamos que as políticas de combate à violência não podem ser feitas com a geração de mais violência. Não somos a favor do crime organizado, o que não queremos é que esse combate seja feito pela repressão de toda uma comunidade e morte de inocentes. Ao ser negro ou morador da periferia, automaticamente você é considerado criminoso. Por isso também é necessário combater o crime dentro do próprio Estado”, afirma.

Ele afirma também que uma política eficiente de superação da violência passa, antes de mais nada, pelo desenvolvimento das comunidades. “É preciso cultura, educação, lazer, emprego e não essa política de saturação das comunidades.”

O Comitê

O Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra é uma frente que reúne um conjunto amplo de organizações e pessoas preocupadas com o assassinato, a perseguição e o racismo dirigido aos jovens negros moradores das periferias nos centros urbanos do estado de São Paulo.

O grupo reúne hoje representações do movimento negro (como Uneafro, Círculo Palmarino e Movimento Negro Unificado), de direitos humanos (como o Grupo Tortura Nunca Mais e a Pastoral Carcerária), de juventude (como o Levante Popular da Juventude) e outras entidades importantes como as Mães de Maio, Santos Mártires e o Forum Hip Hop Municipal, além do GT Juventude da Rede Nossa São Paulo.

“Trata-se de uma frente de lutas que agrega diversos movimento e lideranças e setores que reivindicam essa pauta. O comitê tem feito um grande esforço de juntar diversas iniciativas que vêm sendo feitas no campo dos direitos humanos, do combate ao racismo e do enfrentamento à violência contra a juventude. Diversas organizações sociais, partidos políticos e parlamentares vêm lutando por essa pauta”, afirma Juninho.

Conforme o militante, o Comitê surgiu ainda em 2009, com uma articulação de entidades do movimento negro para a construção de um dia 13 de maio de lutas. “No primeiro ano nossa ação foi contra a falsa abolição e reivindicando que a estação Anhangabaú virasse Anhangabaú-Palmares, por causa do mercado de escravizados que havia lá”, explica.

Em 2010, as mesmas entidades mobilizadas passaram a destacar no 13 de maio a luta pelo fim da violência contra a juventude negra. Foi então que o Comitê ganhou o nome atual. “Fazia quatro anos dos crimes de maio e não havia nenhuma resposta do poder público ao acontecido, além de alguns novos casos de violência e assassinatos.”

Outras ações

Manifestantes se dirigem à Assembleia Legislativa no ato 10D

Manifestantes se dirigem à Assembleia Legislativa no ato 10D

Além disso, desde a sua criação, o Comitê vem percorrendo as instâncias legais, participando de audiências públicas e protocolando documentos que pedem providências das autoridades para brecar o assassinato e encarceramento em massa de jovens negros. No dia 22 de novembro os representantes do Comitê ocuparam a Secretaria de Justiça para pedir uma audiência, que será realizada no dia 19 de março (leia mais aqui).

No dia 1º de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, foi organizado o “ATO 10 D – dez direitos que não existem em SP”, que reuniu cerca de mil pessoas numa passeata que começou no vão do MASP e seguiu até a Assembleia Legislativa para a entrega do Prêmio Santos Dias de Direitos Humanos. Em janeiro, um novo ato marcou o aniversário de São Paulo, em frente da Praça da Sé.

Para Juninho, a pressão da sociedade parece estar surtindo efeito, com a troca dos comandos nas duas polícias e do próprio Secretário de Segurança Pública, além de portarias como a que retirou o termo “resistência seguida de morte” dos boletins de ocorrência.

Para participar

As reuniões do Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra são abertas e realizadas geralmente às terças-feiras, a partir das 19h, no Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo, na Rua da Abolição, 167, na Bela Vista. Elas são divulgadas por e-mail e por uma página na rede social Facebook.

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Encontro reuniu representantes do poder público e da sociedade civil na Câmara

No dia 17 de maio, o GT de Juventude da Rede Nossa São Paulo realizou, em parceria com a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, o Encontro Gênero e Diversidade Sexual – construindo políticas públicas de juventude. A atividade discutiu um conjunto de propostas elaboradas por parceiros e parceiras do GT Juventude com representantes de secretarias municipais, pesquisadores e organizações ligadas às temáticas.

Na mesa estavam o vereador Ítalo Cardoso, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara; a representante da Secretaria de Educação, Elisabeth de Sousa; a representante da Coordenadoria da Mulher, Amely Fauser; e a representante da Coordenadoria dos Assuntos da Diversidade Sexual (CADS), Ana Cristina Mendes dos Santos; que falaram a respeito das ações e desafios do poder público para trabalhar com essas questões. Clara Cavalcante, doutora em saúde pública, e Patrícia Rodrigues, da Marcha Mundial das Mulheres e Secretária de Juventude da União de Moradia de São Paulo, falaram pela sociedade civil.

O representante da Executiva do GT Juventude, Gabriel Di Pierro, iniciou o encontro com a apresentação das propostas do GT. “Buscamos ser bastante específicos, partindo das leis já aprovadas e programas das secretarias. Não são propostas finalizadas, mas que devem qualificar o diálogo e impulsionar encaminhamentos concretos. São temas que estão fragilizados na agenda do município e que necessitam de maior centralidade”, afirmou.

Segundo Elisabeth de Sousa, quem trabalha com as temáticas de gênero e diversidade na Secretaria Municipal de Educação é a Diretoria de Orientação Técnica, que, no entanto, não possui hoje um setor específico para gênero ou diversidade sexual. Segundo a representante, a Secretaria tem trabalhado com grande ênfase no processo de ensino-aprendizagem, por meio do qual tem constatado um sucesso maior de meninas em relação aos meninos.

Para Elisabeth, faltam levantamentos que indiquem que levar a discussão sobre gênero e masculinidades para dentro da sala de aula pode contribuir para que os alunos tenham maior sucesso escolar. Elisabeth também considerou importante que sejam desenvolvidas pesquisas que compreendam como se dá a relação entre alunos e professores assumidamente homossexuais.

Para Amely Fauser, a Coordenadoria da Mulher está de acordo com a necessidade de desenvolver ações específicas dirigidas a jovens mulheres. De acordo com ela, a Coordenadoria está aberta a contribuições, mas ela ressalta que existem dificuldades na implantação das políticas.

Orçamento

Segundo Gabriel Di Pierro, a Coordenadoria da Mulher teve seu orçamento reduzido em quase 50% em 2012. Para Ítalo Cardoso, é necessário que a Coordenadoria procure um novo espaço na gestão municipal. “A atual gestão optou por colocar as temáticas da mulher, gênero, raça e juventude em uma secretaria frágil, sem orçamento. Por isso é importante que vocês reivindiquem um espaço que seja mais adequado para o desenvolvimento dessas políticas”, disse. Segundo ele a Comissão de Direitos Humanos estará aberta para discutir esses problemas e dar encaminhamentos.

Para a Doutora Clara Cavalcanti, as políticas têm sido pensadas a partir de uma visão de controle da sexualidade e dos corpos e refletem as limitações dessa visão. Para ela, é preciso “enxergar a diversidade dentro da diversidade”, ao invés de criar categorias homogêneas, para que se possam afirmar os direitos sexuais e reprodutivos sem estigmatizar.

Segundo Ana Mendes dos Santos, a CADS já tem realizado mapeamentos sobre violência contra pessoas LGBTs que permitem o recorte etário, mas concorda que novos estudos serão bem vindos. Ana afirmou também que há hoje a preocupação da CADS em dar maior capilaridade no atendimento e que, para isso, há um processo de formação de profissionais dos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), realizado em conjunto com a Secretaria Municipal de Ação e Desenvolvimento Social (SMADS) e com apoio do Conselho da Diversidade.

Patrícia Rodrigues lembrou a necessidade de garantir a autonomia de jovens mulheres em relação ao corpo, adequando leis e criando políticas que apoiem a jovem que optar pelo aborto, tratando-o como uma questão de saúde da mulher. Ela defendeu ainda a criação de um plano municipal que aborde os direitos da juventude de maneira integrada.

Propostas

O representante do GT Juventude, Gabriel Di Pierro, apresentou o resultado do diálogo que vem sendo promovido junto a organizações como ECOS – Comunicação em Sexualidade, Jovens Feministas, Associação Frida Khalo, Grupo Lambda, Anchietanum e Viração, pensando em políticas públicas de juventude com o recorte de gênero e diversidade sexual (veja aqui as propostas).

Ao final do encontro os representantes se colocaram à disposição para dialogar acerca das propostas, realizando reuniões específicas com cada Secretaria. A coordenadoria de Juventude, Secretaria de Saúde e SMADS, também convidadas, não enviaram representantes.

“Vai ser importante retomar o diálogo, especialmente com aqueles representantes que se mostraram mais abertos a acolher as propostas. O encontro nos ajudou a aprofundar nosso diagnóstico sobre essas políticas, contribuindo para uma agenda específica, além de iniciar uma conversa com os órgãos e com a Câmara”, disse Patrícia Rodrigues.

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Confira o planejamento de atividades para o primeiro semestre deste ano

Em sua primeira reunião do ano, realizada no dia 15 de maio, a Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude da Câmara de São Paulo começou a definir o planejamento de 2012 e acolheu as propostas de discussão apresentadas pelo GT Juventude da Rede Nossa São Paulo. Temas como as Casas de Cultura, o papel dos Auxiliares de Juventude e a discussão da proposta de alteração de Lei que cria o VAI 2 devem fazer parte dos trabalhos da Comissão, formada pelo vereador Floriano Pesaro (PSDB), Alfredinho (PT), Senival Moura (PT), Goulart (PSD) e Agnaldo Timóteo (PR) -ausente no primeiro encontro.

Na reunião, o requerimento para a realização de um seminário sobre o Programa VAI e a criação do VAI do Esporte, apresentado pelo integrante do GT e conselheiro de Juventude Flávio Munhoz, foi aprovado pelos vereadores.

Além de discutir a realização de visitas a alguns bairros e equipamentos, como Centros de Educação Infantil e Centros de Juventude, a Comissão decidiu também convidar para as próximas sessões alguns representantes do poder público.

Foi definida uma agenda composta de encontros às terças feiras, às 11h30, além de algumas discussões extras sobre temáticas específicas com convidados (veja abaixo). “Com isso, a Comissão passa a ter um conjunto intenso de atividades. Restará como dúvida a capacidade de cumprir o planejamento, mesmo com a já esperada dispersão no período pré-leitoral. O GT juventude irá acompanhar os próximos encontros e a evolução do trabalho”, afirma Gabriel Di Pierro, assessor da Ação Educativa e membro da Secretaria Executiva do GT.

Atualmente com cinco membros na Comissão, as reuniões precisarão de ao menos três vereadores presentes para atingir o quórum.

Agenda

18 de junho: seminário sobre o Programa VAI (atual e projeto do VAI 2) e criação do VAI do Esporte, em conjunto com a Comissão de Educação, Cultura e Esportes.

19 de junho: Discussão de propostas para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), com participação de membros do Conselho Municipal de Juventude e da Comissão, discutindo o orçamento da Prefeitura para 2013.

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Recém-empossado como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude da Câmara de São Paulo, o vereador Floriano Pesaro concedeu entrevista ao blog do GT Juventude da Rede Nossa São Paulo para falar sobre os desafios para o avanço nas políticas públicas para esta população.

Pesaro afirmou que entre as prioridades da Comissão está a realização do Censo de Juventude da Cidade de São Paulo, além de discussões relativas a educação e à situação dos jovens que cumprem medidas socioeducativas na Fundação Casa.

Para o vereador, não é possível criar uma comissão parlamentar dedicada somente à temática da Juventude. “A função da Comissão é se dividir entre os três eixos, Infância, Adolescência e Juventude, e dar espaços iguais para os três”, diz. Ele reconhece, porém, que, historicamente, o eixo de Juventude é o mais negligenciado: “na minha opinião, dos eixos, o de Juventude é o mais abandonado em termos de políticas públicas”.

Leia abaixo a íntegra da entrevista.

GT Juventude: Como vê a especificidade da população jovem e as necessidades de políticas públicas para este segmento da população?

Floriano Pesaro: Primeiro acho que tem que ser uma prioridade, não só dos governos, mas das organizações sociais que trabalham com criança e adolescente. A Juventude é uma fase da vida das mais difíceis, talvez a mais difícil. É uma fase pela qual os jovens passam por crises de identidade, muitas crises, falta de orientação profissional, problemas pessoais, familiares. Acho que é um momento em que o jovem precisa de muito apoio e orientação.

GT Juventude: Quais avanços de políticas públicas podem-se esperar da Comissão, considerando-se que este é um ano eleitoral?

FP: Independentemente de ser ano de eleição, acho que a gente tem que conseguir ampliar o número de recursos na Lei de Diretrizes Orçamentárias para poder ampliar políticas públicas, especialmente as voltadas para formação e orientação dos jovens. Defendo mais investimentos em cursos técnicos e tecnológicos, orientação para o mercado de trabalho e forte investimento em áreas de cultura, esporte e lazer. Esse investimento tem que ser realizado também em locais distantes do centro, de forma descentralizada.

GT Juventude: O senhor acha que há condições para criar na Câmara uma Comissão específica para a Juventude? Não acha que as pautas de Infância, Adolescência e Juventude acabam concorrendo dentro da Comissão atual?

FP: O problema é que você não tem quantidade de vereadores suficiente para ter uma Comissão específica. Cada vereador participa de duas, três Comissões e não tem como participar de mais. A função da Comissão é se dividir entre os três eixos, Infância, Adolescência e Juventude, e dar espaços iguais para as três. Na minha opinião, dos eixos, o de Juventude é o mais abandonado em termos de políticas públicas. Acho que temos que trabalhar políticas públicas dessa faixa etária e que façam frente às necessidades desta população.

GT Juventude: Considerando isto, quais são, atualmente, as principais pautas da Comissão em relação à Juventude?

FP: Vamos discutir o Conselho [Municipal] de Juventude, sua participação e suas propostas. O segundo ponto é realizar o Censo de Juventude da Cidade de São Paulo. E vamos discutir também políticas culturais para jovens, em especial, as Fábricas de Cultura. Vamos discutir também a Fundação Casa e a política de formação técnica para jovens e adolescentes. Sobre a Fundação Casa, a discussão se concentrará na temática da educação e da visita íntima.

GT Juventude: Quais as estratégias da Comissão para estimular a participação da Juventude nos debates na Câmara?

FP: Já foi discutido isso, mas é difícil. Nós vamos fazer uma divulgação das pautas de reunião nas universidades, nas faculdades, nos centros de juventude, núcleos socioeducativos. Mas a gente reconhece que é difícil a mobilização dos jovens. O primeiro problema é que eles não se interessam, depois tem a distância para acompanhar as atividades, o tempo que se gasta com isso. Mas se fosse resumir em uma palavra, o fator fundamental é o desinteresse do próprio jovem. Eu parto de uma premissa de que não existe governo ruim para povo mobilizado. Se não existem políticas de Juventude, é porque a Juventude não está se mobilizado.

GT Juventude: O senhor acha que o GT Juventude da Rede Nossa São Paulo pode contribuir com este processo de mobilização?

FP: Sem dúvidas, acredito muito no GT, nos jovens que estão lá coordenando o grupo. Acho que é gente preparada. Se nós pudermos fazer uma pauta e uma agenda conjunta, todos ganham.

GT Juventude: Como avalia a importância e o atual trabalho da Coordenadoria Municipal de Juventude?

FP: Acho que o trabalho na Coordenadoria teve altos e baixos. Ele teve momentos muito profícuos e outros de menor intensidade. Mas eu não tenho acompanhado tão de perto, de modo que possa fazer um balanço das atividades.

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Na terça feira, dia 29 de maio, a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, da Adolescência e da Juventude promoveu, em São Paulo, um debate sobre medidas socioeducativas. Na ocasião, foi feito um breve balanço do cenário atual, com a entrada em vigor do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE).

A discussão contou com a presença da presidente da Fundação Casa, Berenice Gianella, e das representantes da Secretaria Municipal de Ação e Desenvolvimento Social (SMADS), Maria Isabel Capinam e Zilah Daijo, responsáveis pela implementação das medidas em meio aberto, em parceria com entidades locais. O encontro contou também com a presença dos vereadores membros da Comissão Floriano Pesaro (PSDB), Alfredinho (PT), Goulart (PSD) e Senival Moura (PT).

A presidente da Fundação Casa mostrou preocupação com o aumento do número de adolescentes que têm sido encaminhados às medidas e alertou para o que seria um “entendimento equivocado” de juízes que optam pela internação. Gianella lembrou que, embora o Estatuto da Criança e da Adolescência (ECA) indique a internação em caso de “grave ameaça ou violência”, muitos adolescentes têm sido encaminhados fora deste contexto, lembrando que 41% dos casos estão caracterizados como “tráfico de drogas”. Segundo ela, em 2006, eram 20 mil adolescentes cumprindo medida socioeducativa. Com a tendência de alta, diz, chegou-se a 28.879 em 2011, com indicação de um número ainda maior em 2012.

A presidente também foi enfática ao dizer que a apuração de casos de violência contra adolescentes na Fundação Casa tem sido eficiente, que os casos de agressão são “esporádicos” e que a denúncia do adolescente é suficiente para abrir uma apuração – negando a informação trazida pelo GT Juventude de que responsáveis pelas unidades estariam se negando a purar denúncias individuais de internos.

Em relação às Medidas Socieducativas, Zilah Daijo mostrou incômodo com a nova Lei que instituiu o SINASE. Para ela, o processo de elaboração do texto não escutou devidamente a Secretaria que será responsável pela sua implantação. A responsabilidade em relação à reeducação do adolescente infrator, segundo Daijo, não deveria ser restrita à Assistência Social, mas envolveria outras pastas, de forma intersetorial.

Falta de profissionais

Maria Isabel Capinam também mostrou preocupação com o cenário, em especial com a falta de profissionais que possibilitem a estruturação dos Centros de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS) na cidade. De acordo com Capinam, há hoje um conflito entre a diretriz do governo federal, que prevê que a execução das medidas em meio aberto deve ser assumida pelos CREAS, e a política do governo municipal, que tem estabelecido convênios com entidades não governamentais. O conflito tem, inclusive, impossibilitado o repasse de verbas federais, diz.

As representantes da SMADS também indicaram que falta o envolvimento de outras secretarias para que os adolescentes tenham um atendimento adequado, especialmente no caso daqueles que já terminaram de cumprir a medida. Perguntadas sobre a participação da Secretaria Municipal do Trabalho, disseram que há muito pouco diálogo e faltam ações com esse direcionamento, já que, em geral, as exigências dos programas – assim como acontece em relação à educação – criam barreiras à participação dos adolescentes.

Segundo Capinam, também tem sido muito difícil convencer os adolescentes a participar do Projovem Adolescente, cujo perfil do público-alvo é semelhante ao dos jovens infratores. Por fim, elas indicaram que boa parte dos profissionais das entidades não estão suficientemente preparados para orientar e facilitar a entrada de adolescentes em programas de seu interesse, como é o caso das políticas de Educação de Jovens e Adultos.

Relatório do Conselho Nacional de Justiça, apresentado em abril deste ano, indica a melhora do atendimento da Fundação Casa, mas ressalta a ausência de programas de atendimento de egressos, fundamentais para o processo de reinserção social dos adolescentes.

Agenda

No dia 19 de junho a Comissão abre espaço para a sociedade civil discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o próximo ano. Trata-se de uma discussão fundamental: quais serão os recursos destinados às políticas dirigidas a crianças, adolescentes e jovens paulistanos. Para quem tem propostas para as políticas públicas de juventude, trata-se de um momento-chave deste ano para influenciar a ação do governo municipal.

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