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Archive for the ‘Juventude na Cidade’ Category

#PapoRetoSP

O PapoRetoSP da Subprefeitura da Sé aconteceu na Praça das Artes

Com o início da nova gestão municipal está sendo resgatado um importante instrumento para que as políticas públicas se aproximem dos(as) jovens da cidade: os auxiliares de juventude.

Previstos desde 2005 pela lei das Estações de Juventude (Decreto nº 45.889), estes representantes tem como atribuições conhecer a juventude local, levantar suas demandas e compartilhar importantes informações para que população jovem tenha acesso às políticas que a cidade oferece.

Tanto a Coordenadoria Municipal de Juventude como a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras são os órgãos responsáveis por orientar os auxiliares e dar o suporte necessário para o seu trabalho, levando para a administração as questões e propostas que vierem desse grupo.

O secretário executivo do GT de Juventude da Rede Nossa São Paulo, Gabriel Di Pierro, explica que esse processo de articulação tem como principal finalidade construir políticas públicas de modo mais participativo. “A lei de Estações de Juventude sempre destinou uma pessoa para cada subprefeitura, cuja responsabilidade seria fazer a ponte entre o executivo e os jovens dessa região. Porém, até a gestão anterior, existiam denúncias de desvio de função. Muitos auxiliares estariam realizando atividades como servir café em gabinetes ou trabalhar como motorista”, comenta.

Para recuperar o papel dos auxiliares, a Coordenadoria de Juventude e a Secretaria de Coordenação de Subprefeituras vêm atuando em conjunto e por meio da definição das atribuições do cargo pretende garantir um perfil mais adequado à função.  Entre as competências dos auxiliares de juventude estão: a realização de diagnósticos sobre a realidade dos/as jovens locais; mapeamento dos equipamentos públicos com maior utilização de jovens, bem como de programas e políticas que atinjam esse público; identificação e diálogo com grupos juvenis e entidades; e constituição de fóruns locais.

No final do mês de julho, os/as auxiliares foram estimulados a promover encontros e rodas de conversa para que se apresentem e abram o diálogo com as comunidades. Esses momentos estão sendo chamados de #PapoRetoSP. No sábado (20), ocorreu o debate com o auxiliar Pedro Martinez, da Sub Sé, que contou também com a presença do subprefeito Marcos Barreto e do coordenador de juventude Gabriel Medina.

Para Gabriel Di Pierro “resta saber se de fato o trabalho dos auxiliares vai desdobrar em ações concretas. E é pensando nisto que a edição especial do Juventude na Cidade é um convite para que pessoas e grupos conheçam o time atual de auxiliares, em especial aquele que atua na sua região, aquecendo o debate, ainda um tanto marginal, sobre políticas públicas de juventude em São Paulo”, conclui.

Conheça os/as auxiliares de juventude da cidade de São Paulo >>

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Quadro Dados Subprefeitura de São Miguel

Lika RosaQual seu histórico junto a jovens da sua região?

Primeiramente eu sou artista, cantora pra ser mais exata e sempre fiz shows na comunidade, nos Saraus existentes aqui na Zona Leste. Inclusive os Saraus foram um espaço importante para que minha produção artística chegasse a outras pessoas, incluindo adolescentes e jovens, tornando-a mais conhecida.

Também faço parte da Associação de Arte e Cultura Periferia Invisível, uma iniciativa que busca transformar o cenário artístico-cultural da periferia da zona leste de São Paulo, oferecendo oficinas diversas, produzindo espetáculos e eventos na região e trazendo grupos de fora para se apresentar. Em 2012, a Associação apoiada pelo Programa de Iniciativas Culturais – (VAI) e em parceria com a Paróquia Santa Luzia da Vila Cisper, ofereceu uma série de iniciativas voltadas para formação artística de adolescentes e jovens da região e conseguimos fazer a impressão do meu CD.

Em fevereiro, assumi como auxiliar de juventude da Subprefeitura de São Miguel, fui indicada porque já conhecia alguns núcleos daqui e tinha uma vivência no trabalho junto a juventude.

Quando estou na subprefeitura, fico na sala 27 na Câmara de Animação Econômica, mas na maioria das vezes estou na rua, participando de fóruns e reuniões de formação ou articulação. No começo, não sabia exatamente o que ia fazer, não tinha um caminho definido, passados esses três meses já estou cheia de ideias e com muita vontade de compartilhá-las, bacana que todos na subprefeitura tem me ajudado muito. Tudo isso tem sido um grande aprendizado.

Quais expectativas que você tem em relação ao seu trabalho como auxiliar de juventude?

Quero fazer um trabalho de fortalecimento da juventude, ampliando seu repertório cultural e estimulando sua participação social. Nesse sentido, os processos de formação articulados com os potenciais do bairro são fundamentais. Eu acredito que por meio da cultura o jovem pode entender e ver coisas, outros mundos, isso ajuda nos estudos, fortalece os vínculos afetivos com as famílias. Podemos revolucionar São Miguel.

Eu tenho a impressão que o CEU em parceria com o CCA, pode proporcionar um percurso de formação muito interessante para os jovens, mas para isso acontecer temos que ter acesso aos CEUs, dificilmente vemos os artistas da região decidindo sobre a programação ou sendo acionado para apresentações. Quando entregamos projetos ficamos sem resposta. Acho que isso tem que ser diferente.

Como pretende estabelecer um contato com grupos juvenis locais?

Os fóruns tem sido um jeito bacana de estabelecer contato com os grupos da Zona Leste. Eu estou participando do Fórum de Cultura e estou aprendendo muitas coisas, pois é um espaço importante para pautarmos algumas necessidades da comunidade artística como por exemplo, a criação da Casa de Cultura de Ermelino Matarazzo e a reforma do teatro Flávio Império.

Também tenho participando de reuniões com o Instituto Alana e a Fundação Tide Setubal para o levantamento de demandas relacionadas à juventude que não necessariamente estão relacionadas à cultura. Já realizamos o primeiro encontro de Juventude da Subprefeitura São Miguel, nesse encontro foram debatidos vários temas com destaque para a necessidade de articulação entre programas governamentais voltados para jovens.

Neste momento, estamos fazendo visitas nas organizações juvenis, Escolas Municipais e Estaduais e entidades, possibilitando a ampliação do diálogo com palestras sobre políticas públicas e o levantamento de demandas para agregar na apresentação do Plano de Metas, que deverá ser concluído no mês de maio.

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Quadro Dados Subprefeitura da Sé

Pedro MartinezQual seu histórico junto a jovens da sua região?

Minha origem é a Juventude do Partido dos Trabalhadores, onde iniciei a minha militância. Comecei a atuar no movimento estudantil, faço direito no Largo São Francisco e me envolvi em vários espaços, como o Fórum pela Democratização da USP, a  Jornada de Lutas da Juventude e a Frente Pró-Cotas, na qual participo desde a criação. Faço parte também da Comissão da Verdade, como representante da minha faculdade. É diferente quando falamos do centro da cidade, pois muita coisa acaba acontecendo por aqui, chega a ser difícil de acompanhar tudo.

Quais expectativas tem em relação ao seu trabalho como auxiliar de juventude?

Ainda estamos no começo, não faz um mês que comecei. A gente quer focar a  participação, estamos com a ideia de trabalhar junto com a Subprefeitura da Sé para construir um fórum, onde vai ter um espaço específico de juventude sob minha responsabilidade. A ideia é tentar integrar, por isso resolvemos investir num espaço mais amplo, que envolve toda a subprefeitura.

Uma outra parte importante que a gente quer trabalhar é a cultura, buscando diálogo com os movimentos que querem ocupar o centro, promover ações no espaço público. Queremos apoiar os artistas jovens, as ações de cultura popular, os movimentos de cultura. Como falei, surgem muitas coisas novas, que não estão no planejamento, então você tem que ir incorporando. Um caso foi o grafite, pois a área de limpeza urbana da prefeitura tem pintado vários muros, inclusive coisas dos Gêmeos um mês atrás, a gente tem tentado puxar uma discussão para evitar que isso ocorra. O Haddad fala no Plano de Governo de São Paulo como a cidade do grafite, então temos que construir essa ideia.

Como pretende estabelecer um contato com grupos juvenis locais?

Tenho contato com muitos grupos na região. Tem o Fora do Eixo, a Marcha Mundial das Mulheres, o movimento negro, LGBT. A gente fez uma aproximação da Ocupação Cultural Santa Cecília, que está na São João com a Alameda Glete, numa ação voltada a cultura e esportes. A gente está vendo a possibilidade de regularizar, conseguir uma cessão do terreno. Tem o Baixo Centro, Existe Amor em SP, são muitos grupos.

Uma das primeira ações foi apoiar o evento do Anhangabaú da Felicidade, no qual demos um respaldo institucional, levantando autorizações, buscando evitar alguns conflitos com outros segmentos que estão na região. Também estivemos desde o começo envolvidos com o conflito dos skatistas, em diálogo com a Federação Brasileira de Skate e outras representações, inclusive porque vamos ter o parque de esportes radicais. É importante saber deles o que desejam, como é uma boa pista, senão você erra e o uso não é que poderia ser.

Tem algumas coisas que vão vir, como a implantação das Praças Digitais, que tem muito a ver com a juventude. Tem um clube-escola, Raul Tabajara, vai ser mais que um pólo do esporte, queremos fazer um espaço de convivência que seja também para a juventude.

Ao mesmo tempo alguns movimentos têm um certo repúdio ao poder público, a gente tem que lidar com isso.

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Quadro Dados Subprefeitura de Itaquera

Kleberson FerreiraQual seu histórico junto a jovens da sua região?

Minha trajetória começou em 2002 com a militância no Partido dos Trabalhadores, e minha atuação estava focada no desenvolvimento do Jardim Vila Nova em Itaquera – bairro no qual moro até hoje.

Junto com outros jovens fazia cultura local, ali para o pessoal mesmo, nada muito grande. Nessa época aprendi muitas coisas, principalmente a lutar pelos meus direitos, entendia que dessa maneira também contribuía para fortalecer as lutas juvenis. A partir dessa experiência fui convidado para fazer parte da direção da ONG Nova Atitude, oferecendo cursos profissionalizantes para mais de dois mil adolescentes e jovens.

Em 2011, fui eleito Conselheiro de Juventude, na área de Esporte e Lazer e temos lutado, a partir deste ano, pela alternância na presidência do conselho, ou seja, que possamos eleger candidatos que sejam representantes da sociedade civil e não somente do governo.

Assumi o cargo de auxiliar de Juventude no dia 15 de março de 2013 na subprefeitura de Itaquera, e estou conhecendo as dinâmicas do trabalho público e de forma coletiva estamos desenhando o plano de trabalho para este ano. É algo novo e desafiador, pra mim e imagino que para todos, mas o importante é que agora teremos um espaço para pautar politicas voltadas para atender as demandas das juventudes aqui de Itaquera.

Quais expectativas que você tem em relação ao seu trabalho como auxiliar de juventude?

Minha vontade é ver as coisas acontecendo!

Na subprefeitura tem um anfiteatro e uma sala de cinema, existem pessoas que moram no bairro há mais de 10 anos e não sabem da sua existência então queremos que esses espaços sejam ocupados pelas iniciativas existentes no bairro com formação, produção e exposições, organizadas pelos moradores e com grupos artísticos.

Para isso acontecer, uma das etapas do nosso plano de trabalho é a realização de um levantamento das iniciativas culturais da região. Nesse processo – integrado com as áreas de cultura e esporte da subprefeitura – venho me apresentando e abrindo o debate para pessoas que estejam interessadas em estabelecer parcerias.

Também queremos organizar um “Fórum dos Auxiliares de Juventude” para que possamos compartilhar informações e nos fortalecermos. Ainda há algumas duvidas em relação às funções e acreditamos que na troca poderemos ter cada vez mais clareza de onde queremos chegar.

Como pretende estabelecer um contato com grupos juvenis locais?

Como disse, o levantamento tem me aproximado dos grupos da região e com a ajuda das áreas de cultura e esporte e lazer, fica mais fácil.Tenho participado dos Fóruns de Cultura “Para Mudar o Panorama Cultural da Periferia, Zona Leste”, que por sinal é muito interessante, pois é um espaço que eu posso entender as demandas e reivindicações vindas dos grupos, coletivos e cidadãos, de Ermelino Matarazzo, São Mateus, Itaquera e outras regiões. Enfim, estou conhecendo todo esse universo e os grupos também estão me conhecendo, pois ninguém sabe o que é esse cargo auxiliar de juventude e quem está ocupando esse cargo, por isso tenho ido, me apresentando.

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Quadro Dados Subprefeitura da M'BoiMirim

Bruno AlmeidaQual seu histórico junto a jovens da sua região?  

O meu histórico teve o começo junto a crianças e jovens do meu bairro, Jardim Monte Azul, em uma conversa com um amigo, nos preocupamos com a carência e falta de perspetiva de vida da criançada da região devido ao índice elevado de pobreza, nos perguntamos, o que poderíamos fazer para tentar sanar esse sofrimento pelo menos no dia das crianças? Conversando com os pequenos e pasmamos ao saber que o sonho da vida de algumas delas não era ir a Disney e nem ganhar uma bicicleta ou vídeo game, e sim comer um lanche do McDonald. Não tivemos duvidas, tínhamos que tomar alguma providência em beneficio dos pequenos, com muito esforço conseguimos doações de brinquedos a todas as crianças do bairro, a partir desse pontapé inicial também demos início a atividades educativas, maratonas escolares, brincadeiras, aulas de xadrez, etc.

Quais expectativas tem em relação ao seu trabalho como auxiliar de juventude?

A partir dessa iniciativa que muito me realizou, fui atraído para monitorar voluntariamente jovens portadores da Síndrome de Down e outras deficiências intelectuais onde muito aprendi a valorizar e respeitar o próximo. Fui pai muito cedo, tive que abandonar minhas atividades sociais para trabalhar, porém profetizava que algum dia eu iria retomar o trabalho com jovens, foi quando fui convidado para trabalhar com a juventude novamente, através de um parlamentar que conhece um pouco da minha história e sabe da minha capacidade e dedicação para a realização de um bom trabalho.

Como pretende estabelecer um contato com grupos juvenis locais?

Mapeando, conhecendo entidades, ONGs, Centro de Juventude e movimentos jovens da região.  Realização de fóruns e dentro das possibilidades seminários e audiências.  O meu dever também é encaminhar as demandas para a Coordenadoria da Juventude e para a SubPrefeitura de M´ Boi Mirim que mapeou cento e oitenta mil jovens.  A tarefa é árdua, mas vou realizar um bom trabalho.

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O governo Haddad apresentou, no fim de março, um conjunto de cem metas que a sua gestão se compromete a atingir nos próximos 4 anos à frente da Prefeitura de São Paulo. Para debater as metas e ouvir propostas da população para o documento, serão realizadas, a partir do dia 13 de abril, audiências públicas em todas as subprefeituras (conheça o calendário de audiências).

O Plano de Metas está previsto na Lei Orgânica do Município de São Paulo desde 2008 e obriga a equipe de cada governo eleito a apresentar suas metas em até 90 dias após a posse, incorporando nele as propostas da campanha eleitoral. Trata-se de um instrumento para que a população possa discutir o que é prioritário para a cidade acompanhar a gestão, monitorando o andamento do governo. Ao final dos 4 anos, poderemos saber se essa gestão conseguiu atingir aquilo a que se propôs.

Será que os/as quase 3 milhões de jovens da cidade estão satisfeitos com as propostas deste Plano? Será que suas demandas e especificidades foram consideradas?

No atual governo, o tema juventude é puxado pela Coordenadoria de Juventude, que está alocada na recém-criada Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. No entanto, as políticas dirigidas a jovens precisam ser discutida e implantadas com envolvimento de várias secretarias.

O GT Juventude da Rede Nossa São Paulo destacou aqui 41 das 100 metas que se relacionam mais com os interesses e demandas da juventude, e realizou uma breve análise para ajudar jovens e interessados no tema juventude a fazer sua avaliação e a participar das audiências. Muitas das metas afetam a juventude, mas poucas mencionam jovens como um grupo social específico a ser considerado.

Juventude e políticas segurança públicas

O Programa Juventude Viva vem sendo divulgado pelo governo municipal como a principal ação dirigida a jovens, no entanto não aparece entre as metas. Ele vem de uma iniciativa do governo federal e se propõe a prevenir a mortalidade de jovens negros, especialmente de renda mais baixa e em territórios mais violentos. Em contrapartida, consta na meta nº35 a realização da Operação Delegada, um acordo entre Governo do Estado e Prefeitura para ampliar o efetivo da Polícia Militar no “patrulhamento noturno em áreas de altos índices de violência”.

Setores importantes da juventude vem há tempos denunciando a violência policial contra a juventude negra – demanda que inclusive deu origem ao Programa Juventude Viva. Em 2012 a polícia foi responsável por quase 20% dos homicídios de São Paulo e tem sido apontada como responsável por executar jovens nas periferias. Há indícios claros da existência de grupos de extermínio operando entre as forças policiais, sem a devida investigação e punição pelo poder público.

O GT Juventude entende que essa meta entra em evidente conflito com o desejo da juventude e explicita um entendimento equivocado de segurança pública no âmbito do município, ao investir na repressão ao invés de promover ações preventivas e de afirmação dos direitos sociais das populações jovens mais afetadas.

Não podemos deixar de apontar, contudo, um conjunto importante metas que constam do documento, que fazem parte de demandas expressas por diferentes grupos e organizações ligadas a juventude e devem beneficiar de forma importante os/as jovens – algumas dessas ações foram destacadas na tabela abaixo.

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Participe!

Acreditamos que o Plano de Metas é um instrumento importante de controle social e participação para jovens e certamente pode contribuir para o desenvolvimento de boas políticas públicas de juventude. Por isso fica o convite à participação nas audiências a todas e todos jovens do município. Apareça e faça a diferença!

Confira aqui as 41 metas analisadas, sua relevância e qual é a secretaria responsável.

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Recém-empossado pela gestão Fernando Haddad (PT), Gabriel Medina assume a Coordenadoria de Juventude da capital paulista com a missão de recompor um órgão com pouca estrutura e baixo orçamento para conseguir efetivar políticas públicas para os cerca de 3 milhões de jovens da cidade.

Nos últimos oito anos, oito pessoas diferentes ocuparam o cargo, o que dificultou a construção de uma política efetiva. Em entrevista ao GT Juventude da Rede Nossa São Paulo, Medina afirmou que a Coordenadoria está trabalhando neste início de mandato num processo de diagnósticos da juventude paulistana e de políticas desenvolvidas pelas diversas secretarias do município que têm este segmento da população como público direito ou indireto.

O novo coordenador listou entre as prioridades do atual governo o combate à violência, a adesão de São Paulo a programas do governo Federal, como o Juventude Viva e o Pronatec, e questões ligadas à cultura e ao trabalho.

Medina defendeu a nova estrutura da Coordenadoria, que compõe agora a Secretaria de Direitos Humanos, e afirmou que está trabalhando para a liberação de verbas de emendas parlamentares congeladas pela Secretaria de Finanças.

Leia abaixo trechos da entrevista.

Gabriel Medina, novo Coordenador de Juventude da cidade de São Paulo

Gabriel Medina, novo Coordenador de Juventude da cidade de São Paulo

GT Juventude: Quais devem ser as prioridades da Coordenadoria Municipal de Juventude neste governo?

Gabriel Medina: Para nós a prioridade é quebrar as barreiras entre centro e periferia e entre ricos e pobres. Além disso, uma das prioridades é trazer para São Paulo o Programa Juventude Viva, do Governo Federal. Outro tema é a questão do emprego.

Precisamos ainda acompanhar a vinda do Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, do Ministério da Educação] para a cidade. Ela precisa ser bem planejada. É preciso pensar quais cursos e em quais locais serão criados, quais jovens serão beneficiados. E também acompanhar a expansão da rede técnica de ensino federal.

Um terceiro tema é o da cultura. Achamos que é um tema muito central para a juventude da cidade, vide o sucesso do VAI [Programa de Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria Municipal de Cultura] e como ele mobiliza as pessoas. A cultura é uma das formas mais presentes na mobilização da juventude, hoje, pela capacidade que ela tem de fazer a disputa de valores na sociedade em questões como o racismo, machismo, homofobia. E também para pensar uma sociedade que não se paute só pelo consumo, que rompa com o individualismo.

Falar em cultura é falar de acesso à produção e ao consumo de cultura oferecida por uma rede pública. Hoje os grandes espaços de socialização da juventude são os shoppings. Há poucos espaços públicos de socialização e de cultura, sobretudo na periferia. Há também baixo aproveitamento dos CEUs, espaços fundamentais para a produção cultural. É preciso pensar a cultura como prioridade, porque ela ajuda a ter uma disputa simbólica na própria concepção de juventude. É preciso pensá-la não só pelo trabalho e estudo, mas pelo direito à cidade, à cultura, ao tempo livre.

GT Juventude: Há alguma notícia sobre a implantação do Programa Juventude Viva?

Gabriel Medina: Já fizemos duas reuniões com o Governo Federal para tratar da vinda do programa. O Governo Federal está fazendo um estudo para ver quais são os convênios e quais são os programas que poderão ser trazidos para São Paulo, compreendendo que são um conjunto de programas que o município e, esperamos, o Governo do Estado desenvolvem.

Estamos trabalhando para a escolha dos territórios, elaboração de um guia municipal de implantação e o Haddad já soltou a portaria de criação de um grupo intersecretarial para a implantação do Juventude Viva.

GT Juventude: Nos últimos oito anos, foram oito coordenadores de juventude e até agora não temos políticas públicas de juventude efetivas. Como criá-las e como fazê-las sobreviver aos governos?

Gabriel Medina: Acho que essa descontinuidade tanto de um governo para outro quanto com as mudanças de coordenadores num mesmo governo dificultaram que a questão da juventude se tornasse um tema de governo e se consolidasse. O fundamental para que se torne uma política pública efetiva é que se tenham alguns trabalhos iniciais para esse processo.

O primeiro é um diagnóstico bastante preciso da juventude na cidade, entender sua realidade, como ele se movimenta e vive na cidade. É preciso ter dados que nos permitam produzir indicadores. Para isso é essencial que esses dados estejam territorializados. Não adianta ter dados apenas gerais, porque São Paulo é uma cidade muito grande, com realidades muito diferentes. É ideal ter uma dimensão das diferentes regiões para ter planejamento de ação mais preciso.

Um segundo elemento é ter um alcance de quais são as políticas voltadas para os jovens. Não se pode achar que são só as políticas da Coordenadoria. É preciso ter uma análise de como as secretarias atuam nesse tema. A Coordenadoria não é um órgão fim, é um órgão meio, que ajuda a articular e a pensar as políticas, mas quem as executa são as secretarias. É preciso ver como elas se dão ou não, como se articulam ou não. É preciso entender um pouco a dinâmica do governo e como ele tem funcionado nessa área.

Outro ponto é entender quais são os equipamentos públicos existentes na cidade e como eles se relacionam com os jovens.

É a partir desse mapeamento que é possível fazer um planejamento de médio prazo que permita a construção de políticas públicas. Estamos neste momento, de começo de governo, buscando fortalecer a estrutura do órgão. Hoje a estrutura da Coordenadoria esta muito diminuta, muito aquém do que do órgão precisa para realizar seu trabalho. Estamos buscando incidir na reforma de estrutura da prefeitura para garantir mais espaço para a juventude, principalmente neste novo espaço em que estamos que funcionando.

GT Juventude: Sobre a nova estrutura de governo, Você considera que a nova alocação da Coordenadoria, ligada à Secretaria de Direitos Humanos, é o ideal? Que possibilidades e desafios isso gera para o seu trabalho? Você acha que um modelo como o do Governo Federal, em que a Secretaria Nacional de Juventude está ligada diretamente à Secretaria Geral da Presidência da República, seria mais interessante?

Gabriel Medina: Temos entendido que este tema dos direitos humanos no governo Haddad é um tema muito importante. Aliás, direitos humanos e cidadania, que traz uma dimensão que valoriza o tema dos direitos humanos não como algo secundário ou apenas relacionado a questões problemáticas. Direitos humanos não são só isso, são temas que organizam a vida em sociedade.

Nesse momento, no governo Haddad, esse tema vai ser um tema muito importante. São Paulo é uma cidade que viola demais direitos humanos, com as populações em situação de rua, imigração. Nós estamos vendo a presença da juventude aqui como uma oportunidade de valorizar esse campo dos direitos de juventude como direitos humanos e valorizar o tema da cidade, sobretudo combater questões ligadas à violência.

GT Juventude: Como lidar com o desafio de levar a Coordenadoria e as políticas de juventude mais próximas da juventude periférica, dando territorialidade? Você já citou o Mapa da Juventude. Como ficam outras questões como as Estações Juventude e os Auxiliares de Juventude?

Gabriel Medina: Sobre os Auxiliares de Juventude, já fizemos aqui uma espécie de portaria interna dando mais precisão às atribuições desde cargo. Na lei que cria o auxiliar, é um pouco vago o papel dele. Já desenvolvemos aqui uma resolução interna que foi encaminha para as secretarias de Subprefeituras e de Relações Institucionais e estamos em contato com estas secretarias para garantir que as indicações possam atender a este papel.

O que houve nos últimos anos foi uma espécie de desvio de função. Nosso esforço foi um esforço permanente de acompanhamento das indicações e funções para que possamos ter no final um grupo comprometido com o tema. O Chico Macena [Secretario de Coordenação das Subprefeituras] já se dispôs a ajudar. Isso mostra o compromisso de fazer deste um tema com capacidade de se enraizar na cidade. A primeira tarefa após a indicação é pensar num processo de formação para estes Auxiliares e discutir um plano de trabalho comum entre a Coordenadoria e os Auxiliares.

GT Juventude: As propostas saídas da Conferência Municipal não foram muito discutidas pelo governo anterior e não geraram ações concretas. Eles serão retomadas? Como?

Gabriel Medina: Se a gente olhar estes temas que são prioritários, eles estão todos muito presentes nas resoluções da Conferência. Para escolher nossas prioridades, tomamos alguns documentos como base. O primeiro deles foi o programa de governo do Haddad, que foi o compromisso assumido em campanha. O segundo foi olhar as propostas apresentadas pelo Conselho Municipal de Juventude relacionadas ao plano de metas, e a terceira dimensão foi olhar um pouco as resoluções da conferência.

GT Juventude: A Coordenadoria pretende promover maior participação de jovens? Como?

Gabriel Medina: Queria destacar que uma das primeiras ações foi uma audiência pública no Capão Redondo, estive também na mesa com o Sotilli e o Netinho de Paula [Secretário de Promoção da Igualdade Racial], já buscando fazer uma sinalização muito clara da nossa ida à preferia para construir um vínculo. É um local muito simbólico para o diálogo e por conta da chacina no Jardim Rosana. Já buscamos estreitar estes laços porque para nós a prioridade é quebrar as barreiras entre centro e periferia e entre ricos e pobres.

GT Juventude: Uma das primeiras ações da Secretaria de Planejamento foi o congelamento de 5,2 bilhões do orçamento, incluindo 700 milhões em emendas parlamentares. Você acredita que o congelamento dessas verbas pode causar prejuízo às políticas de juventude e ao trabalho da Coordenadoria?

Gabriel Medina: O congelamento é um congelamento cautelar, inicial, inclusive para que o governo possa se precaver de qualquer problema fiscal que possa haver. Nós já estamos em negociação para liberar parte do dinheiro. Uma parte das emendas vem para nós e uma parte vai para as secretarias. Nos já fizemos uma conversa com as secretarias que já receberam as emendas relacionadas a políticas de juventude para que coloquem na prioridade de trabalho a liberação destas verbas.

Estamos otimistas em relação à liberação de 100% destas emendas, embora nenhuma secretaria tem retorno de todas suas emendas. É bem importante este orçamento, certamente com ele temos mais condições de amplificar nossas ações, mas não é pelo congelamento de uma emenda ou outra que vamos deixar de fazer nosso papel e incidir nas secretarias. Podemos ter uma emenda congelada e conseguir outra política pelas secretarias. Essa disputa de orçamento é complexa. É cedo para dizer que vai comprometer. Nunca tivemos orçamento. Vamos trabalhar com o que tivermos em mão e fazer o máximo.

GT Juventude: Cite alguns desafios que você enxerga para o seu trabalho.

Gabriel Medina: Existe uma expectativa de que as políticas cheguem rápido na ponta e vão logo para as ruas, mas temos buscado fazer um bom planejamento e isso leva um bom tempo. Nosso potencial é oferecer boas fontes de informação para as políticas do governo. Isso leva um tempo natural para que o planejamento seja bem feito e tenha eficácia.

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